A rua era longa, e eu me perdia entre minha mania de perseguição e os pensamentos aéreos do dia. Aquela sensação de rotina infeliz tomando conta de mim junto com a agonia de, a qualquer momento, ser abordada por um desconhecido, um ladrão ou algo do tipo. Como eu disse, minha mania de perseguição anda junto comigo.
Eu aumentava o passo, dava uma corridinha e quando passava algum carro eu parava e fazia de conta que já estava em frente de casa, eu sei, sou louca. A maioria das pessoas que passavam me viam todo o dia passar, já me conheciam, mas mesmo assim, para mim, elas não se tornavam menos suspeitas por isso.
E cada vez eu ia mais rápido, tropeçando em meus pés e com o coração acelerado. Passei por uma casa, cheia de homens na frente, provavelmente estavam jogando conversa fora, dando umas risadas, mas a minha cabeça não conseguia descartar a ideia daquelas pessoas saberem que eu passava por aquela rua abandonada exatamente naquele horário e estavam lá apenas para me abordar. Neurótica, eu sei.
Depois de uns vinte minutos de caminhada, cheguei em casa e ai, neura virou outra...
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