sábado, 1 de dezembro de 2012

Se eu minto para você, meu amor, é para não sentires pena de mim. Pena é o pior sentimento do mundo

no fim

Eu sou calma, tranquila e paciente mas tenho esse jeito, só meu, de falar três assuntos na mesma frase. Reclamar, elogiar e perguntar no mesmo momento. Ficar com vergonha pelos outros. Desconversar quando eu quero muito continuar no assunto. Não olhar quando, na verdade, eu quero passar a vida inteira olhando. Interromper os outros para contar algo que ninguém quer saber. Ficar irritada quando as pessoas mandam eu me acalmar. Escrever mil textos para várias pessoas e não mandar nenhum, com medo de ser mal interpretada. Sempre pensar que as pessoas são mais más, do que realmente são. Pensar que os outros sempre vão ter pena de mim se me verem desacompanhada. Sempre pensar que tudo vai dar errado, e no fim das contas, sempre dá certo.



neuras parte I

A rua era longa, e eu me perdia entre minha mania de perseguição e os pensamentos aéreos do dia. Aquela sensação de rotina infeliz tomando conta de mim junto com a agonia de, a qualquer momento, ser abordada por um desconhecido, um ladrão ou algo do tipo. Como eu disse, minha mania de perseguição anda junto comigo.
Eu aumentava o passo, dava uma corridinha e quando passava algum carro eu parava e fazia de conta que já estava em frente de casa, eu sei, sou louca. A maioria das pessoas que passavam me viam todo o dia passar, já me conheciam, mas mesmo assim, para mim, elas não se tornavam menos suspeitas por isso.
E cada vez eu ia mais rápido, tropeçando em meus pés e com o coração acelerado. Passei por uma casa, cheia de homens na frente, provavelmente estavam jogando conversa fora, dando umas risadas, mas a minha cabeça não conseguia descartar a ideia daquelas pessoas saberem que eu passava por aquela rua abandonada exatamente naquele horário e estavam lá apenas para me abordar. Neurótica, eu sei.
Depois de uns vinte minutos de caminhada, cheguei em casa e ai, neura virou outra...