sábado, 26 de janeiro de 2013

a certeza

- Quanto tempo guria!
Disse ele com seu sorriso torto e os dentes amarelados do seu cigarro. Estava mais magro, mais do que deveria, e com olheiras profundas de quem não dormia a dias. 
- É verdade. 
Foi tudo que eu consegui dizer sem me jogar ao seus pés verbalmente, tentei não ser grossa, mesmo ele merecendo uma resposta bem mau educada. 
O silencio se estendeu por alguns minutos enquanto minha garganta secava por não saber o que dizer. Ele sorriu mais uma vez e como quem esperava ouvir algo de mim disse entusiasmado:
- E como você está? Namorando muito?
Tomei um gole do meu suco para me acalmar, mesmo com a vontade de jogar qualquer objeto pesado na cara dele para tirar aquele sorriso malandro de seu rosto. Naqueles segundos eu só conseguia pensar o quão infeliz aquela pergunta era. Ele já sabia a resposta, sabia que eu nunca encontraria  ninguém que conversasse horas a fio comigo, ninguém que escutava as musicas ruins que eu ouvia só pra me fazer feliz, ninguém com o mesmo senso de humor que o meu, enfim, ninguém como ele. 
- Estou bem, obrigada por perguntar. 
E o silencio se fez novamente. Não era vergonha de dizer que eu estava solteira, sozinha e muito carente, era só necessidade de não dizer exatamente o que você queria ouvir. 
- A gente deveria marcar alguma coisa algum dia...
Rapidamente olhei para o relógio, percebi que ainda era cedo mas fugir era o único modo de eu não fazer algo que iria me arrepender. Levantei a cabeça, olhei nos seus verdes irresistíveis e com um tom de certeza na voz eu disse:
- Não. 
E foi aquele não que deu a certeza, para ambos, ele não me tinha mais em suas mãos. 

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